Chiquinho Azevedo

Gilberto Gil

Chiquinho Azevedo
Garoto de Ipanema
Já salvou um menino
Na praia do Recife
Nesse dia Momó também estava com a gente

Levou-se o menino
Pra uma clínica em frente
E o médico não quis
Vir atender à gente
Nessa hora nosso sangue ficou bem quente

Menino morrendo
Era aquela agonia
E o doutor só queria
Mediante dinheiro
Nessa hora vi quanto o mundo está doente

Discutiu-se muito
Ameaçou-se briga
Doze litros de água
Tiraram da barriga
Do menino que sobreviveu, finalmente

Chiquinho Azevedo
Teve muita coragem
Lá na Boa Viagem
Na praia do Recife
Nesse dia Momó também estava com a gente

Todo mundo me pergunta
Se essa história aconteceu
Aconteceu, minha gente
Quem está contando sou eu
Aconteceu e acontece
Todo dia por aí
Aconteceu e acontece
Que esse mundo é mesmo assim


© Gege Edições / Preta Music (EUA & Canadá)

ficha técnica da faixa:
arranjo: Gilberto Gil
voz, vocais e violão: Gilberto Gil
violão de 12 cordas: Celso Fonseca
baixo: Arthur Maia
teclado: William Magalhães
bateria: Jorginho Gomes
moringa: Gustavo De Dalva
steel guitar: Rick Werneck

Outras gravações:
"Quanta", Gilberto gil, Warner music, 1997
"It's good to be alive -anos 90", Gilberto gil, Warner music, 2002

"A música foi feita, em desagravo ao Chiquinho, depois da prisão em Florianópolis. Como ele tinha sido condenado comigo por porte de maconha, e tinha ficado aquela pequena mancha na imagem dele, e como antes - em 75 - tinha acontecido o episódio que eu conto na canção, em que ele tinha tido a atitude heróica de salvar um menino em Recife, eu achei que era uma boa oportunidade para fazer um contraponto e, ao homenageá-lo, mostrar como ele era um belo cidadão, uma pessoa extraordinária, e como o fato de ele fumar e ter sido preso com maconha não diminuía em nada a beleza do ser humano que estava nele.

"O episódio aconteceu durante a excursão do show Refazenda. Chiquinho, Momó (Moacir Albuquerque) e Dominguinhos tocavam comigo. Eu, Momó e Chiquinho - que viria depois a ser o baterista dos Doces Bárbaros - estávamos na praia, e, de repente, um menino se afogando, ele vai, se joga no mar, salva e traz o menino pra areia. O menino naquela agonia, inconsciente, bem defronte havia uma clínica; levamos o menino pra lá, o socorro era urgente, e aí, o médico: 'Peraí, quem vai pagar, quem é o responsável, e não sei o quê.' Aquela história. 'Responsável, coisa nenhuma!', a gente começou a gritar e xingar."
BRWMB9701139