Cérebro eletrônico

Gilberto Gil

O cérebro eletrônico faz tudo
Faz quase tudo
Quase tudo
Mas ele é mudo

O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda

Só eu posso pensar se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar quando estou triste
Só eu
Eu cá com meus botões de carne e osso
Hum, hum
Eu falo e ouço
Hum, hum
Eu penso e posso

Eu posso decidir se vivo ou morro
Porque
Porque sou vivo, vivo pra cachorro
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Em meu caminho inevitável para a morte

Porque sou vivo, ah, sou muito vivo
E sei
Que a morte é nosso impulso primitivo
E sei
Que cérebro eletrônico nenhum me dá socorro
Com seus botões de ferro e seus olhos de vidro


© Gege Edições / Preta Music (EUA & Canadá)

ficha técnica da faixa:
voz e violão: Gilberto Gil

Outras gravações:
"Barulhinho bom", Marisa Monte, EMI Music
"A arte de Gilberto Gil", Polygram/Fontana 1985
"Multishow ao vivo - Caetano e Maria Gadú", Caetano Veloso e Maria Gadú, Universal Music 2011
"Gilberto Gil revisitado", Gilberto Gil, Dubas Music 2004
"Personalidade - vol. 2", Gilberto Gil, 2 Novodisc Mídia Digital 2013
"Giluminoso", Gilberto Gil, Biscoito Fino 2006
"UNB", Gilberto Gil 1999
"Millennium", Gilberto Gil, Universal Music 2004
"Gilberto Gil", Gilberto Gil, Universal Music 2004
"Quilombo", Gilberto Gil, Warner Music 2002
"Quanta gente veio ver", Gilberto Gil, Warner Music 1998
"It's good to be alive - anos 90", Gilberto Gil, Warner Music 2002
"Barulinho bom", Marisa Monte, EMI Music 2004
"Viver a vida", Mylena, Som Livre 2009
"Tempos modernos", Mylene, Som Livre 2009



"Eu estava preso havia umas três semanas, quando o sargento Juarez me perguntou se eu não queria um violão. Eu disse: 'Quero'. E ele me trouxe um, com a permissão do comandante do quartel. O violão ficou comigo uns quinze dias. Aí, eu, que até então não tinha tido estímulo para compor (faltava a 'voz' da música, o instrumento), fiz Cérebro Eletrônico, Vitrines e Futurível - além de uma outra, também sob esse enfoque, ou delírio, científico-esotérico, que possivelmente ficou apenas no esboço e eu esqueci.

"O fato de eu ter sido violentado na base de minha condição existencial - meu corpo - e me ver privado da liberdade da ação e do movimento, do domínio pleno de espaço-tempo, de vontade e de arbítrio, talvez tenha me levado a sonhar com substitutivos e a, inconscientemente, pensar nas extensões mentais e físicas do homem, as suas criações mecânicas; nos comandos tele-acionáveis que aumentam sua mobilidade e capacidade de agir e criar. Porque essas são idéias que perpassam as três canções."