Festival em Londres termina com consagração de Gilberto Gil
ADRIANA FERREIRA SILVA
Gilberto Gil encerrou a primeira edição internacional do festival Back2Black ontem, em Londres, no único dia em que os ingressos se esgotaram.
Encontro entre Criolo e Mulatu Astatke é ponto alto do 2º dia Luiz Melodia e Linton Kwesi destacam-se na 1ª noite Back2Black em Londres destaca artistas brasileiros e africanos
Aos 70 anos, completados na semana passada, Gilberto Gil fez um espetáculo grandioso, que transformou a área do palco principal numa animada pista de dança. O público o acompanhou e vibrou à introdução de cada hit --e ele apresentou muitos.
De seu flerte com o reggae, Gil tocou "Não Chores Mais" e fez ainda uma homenagem extra a Bob Marley, interpretando "Is this Love". O clima mudou em seguida, em direção ao Nordeste brasileiro, quando o cantor explicou ao público, em inglês, o que era um xote, e mostrou "Esperando na Janela".
Entre seus clássicos atemporais, apareceram "Realce", "Vamos Fugir", "Tempo Rei", "A Novidade" e "Drão". Para cantar "Toda Menina", Gil chamou ao palco outros artistas que participaram do festival, como Arnaldo Antunes, Emicida, Flavio Renegado e Mart'nália, promovendo o último dos encontros do Back2Black --que tem entre suas propostas reunir artistas africanos e brasileiros.
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PARCERIAS
Esta ideia resultou num dos shows mais bonitos da tarde de domingo, com Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e o malinês Toumani Diabaté retomando a parceria registrada no disco "A Curva da Cintura" (2011).
Virtuose num instrumento típico de seu país, a kora, Diabaté promoveu um bonito diálogo com a poesia de Arnaldo Antunes e a guitarra de Scandurra, em performance na qual as músicas podiam começar como um bolero e terminar num rock pesado.
Também do Mali, o casal Amadou e Mariam fez uma das melhores performances do Back2Black. O guitarrista Amadou criou uma singular mistura de ritmos tradicionais malineses com blues e rock, num estilo conhecido como "afro blues".
Ao vivo, a percussão disputa as atenções com a guitarra de Amadou, em duelos sonoros vibrantes. Em contraponto, está o vocal hipnótico de Mariam, interpretando de uma maneira que parece que ela está conversando com a plateia, numa melodia doce e envolvente.
O repertório incluiu músicas de seu novo disco, "Folila" (2012), como "Afrique Mon Afrique", uma das muitas em que a dupla celebra a cultura africana.
Jorge Ben Jor manteve a tarde em alto astral, entrando, com atraso --o único dos três dias de evento--, após Amadou e Mariam. Sua famosa banda do Zé Pretinho é afiada, e Ben Jor tem um espírito rock'n roll.
Por isso, mesmo tendo ouvido ou assistido aos seus espetáculos dezenas de vezes, e invariavelmente seu set list se repetirá, é impossível ficar indiferente à mùsicas como "Os Alquimistas", "Chove Chuva", "Fio Maravilha" e "Minha Menina".
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