Eletracústico - Gilberto Gil capta tensão mundial e integra timbres e culturas em CD e DVD

Mauro Ferreira

Gilberto Gil tem conciliado o expediente no Ministério da Cultura com a turnê do show Eletracústico. Gravado durante sua passagem pelo Rio, em setembro, o espetáculo sai simultaneamente em DVD e CD ao vivo. Gil dribla a previsibilidade dos lançamentos do gênero com um repertório de tom politizado que extrapola a mera revisão de sucessos. O roteiro integra timbres e culturas, captando a atmosfera de tensão que rege atualmente o mundo. Seja no estado de desesperança quanto à natureza humana, como expressa a letra de um tango de 1934, "Cambalache", regravado por Caetano Veloso em sua fase tropicalista. Seja na desilusão do povo com o poder estatal, mote da letra de "Nos Barracos da Cidade", hit de Gil em 1985. Ou ainda no sonho de paz acalentado por John Lennon em "Imagine", faixa exclusiva do CD.

Musicalmente, Gil propõe em Eletracústico a integração da percussão acústica com o arsenal eletrônico dos samplers. Uma das faixas que mais bem exemplifica a fusão é "Refavela", música de 1977 em que o cantor já antevia a cultura musical black que emanaria das comunidades periféricas a partir dos anos 80. O acordeão de Cícero Assis dá o tom nordestino de parte dos arranjos.

O DVD é dos melhores já lançados no Brasil por conta da beleza plástica das imagens (captadas por Bernardo Palmeiro), da perfeita mixagem do som em áudio 5.1 e de números exclusivos como "Mãe Solteira", esquecido samba de 1954 que aborda o preconceito das favelas quanto às jovens grávidas. Os extras incluem entrevista em que Gil expõe o conceito do show e trechos da apresentação do ministro na sede da ONU, em Nova York. Um cantor político.



in Isto É Gente, 08.12.2004
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