Coleção Songbooks volta às lojas pela Livraria Cultura

Recentemente, entrou para a lista de pré-venda da Livraria Cultura alguns títulos da coleção de Songbooks da editora Lumiar. Esse projeto que teve início durante os anos 1990 é um dos mais preciosos trabalhos já realizados na música brasileira. Essa história encabeçada pelo músico e professor Almir Chediak teve início com um livro de partituras de Cateano Veloso, em 1989, mas foi ganhando corpo e mudando de perfil. Com o tempo, cada livro passou a ser acompanhado de discos com regravações inéditas de cada homenageado. Cada volume trazia uma lista poderosa de convidados.

O primeiro título da coleção Lumiar foi dedicado a Noel Rosa, e arrebanhou uma série de prêmios. João Nogueira, Gal Costa, Tom Jobim, Ney Matogrosso e até o recluso Cassiano foram alguns artistas que participaram desta empreitada. Depois do Poeta da Vila, outros compositores tiveram suas obras revisitadas em disco e livro, como Gilberto Gil, Dorival Caymmi, João Bosco e outros. A coleção completa é gigantesca e, hoje, alguns títulos podem ser considerados verdadeiras raridades.

Por sorte, acabei comprando todos, ainda quando eles eram encontrados nas lojas. Até cheguei a visitar a sede da editora Lumiar, no Rio de Janeiro, em busca de alguns títulos que me faltavam. Infelizmente, o projeto de Songbooks foi abortado com o assassinato de Chediak em 2003. Com ele, morria um dos projetos mais importantes já feitos sobre a verdadeira música brasileira.

Veja a seguir algumas gravações que merecem ser encontradas de alguma forma.

Noel Rosa – Neste trabalho inaugural, Djavan dá um banho de voz e violão sobre Tarzan, o filho do alfaiate. No entanto, a grande surpresa fica para a lenda do soul Cassiano, em uma raríssima aparição para interpretar Pra que mentir?

Ary Barroso – Dividida em três volumes, os discos dedicados ao mineiro de Ubá reservam algumas gratas surpresas. Gal Costa e Raphael Rabello em No Rancho Fundo, Elza Soares e Aquarela Carioca em É Luxo Só e Luiz Melodia e Wagner Tiso em Folha Morta são algumas delas.

Braguinha – Esta justa homenagem ao João de Barro também veio em três volumes. Reunindo composições conhecidas nos quatro cantos do País, os destaques ficam para Tem Gato na Tuba (Garganta Profunda), Linda Mimi (Zeca Pagodinho) e Vaga-Lume (Leila Pinheiro).

Carlos Lyra – O bossa-novista Carlos Lyra foi um dos primeiros a ter sua obra dissecada pela série. Sem delongas, 20 canções foram reunidas em um único volume, onde se destacam Quando Chegares (Caetano Veloso), Saudade Fez um samba (Cássia Eller) e Influência do Jazz (Leny Andrade).

Chico Buarque – Dono da série de maior fôlego, Chico mereceu nada menos que oito discos com suas canções. Nem tudo é assim tão interessante, mas Zeca Pagodinho se diverte ao lado de Almir Guineto em Feijoada Completa, Ana Carolina quase surpreende em MIl Perdões e Ed Motta brilha em Bye Bye Brasil, com arranjo e piano de João Donato.

Djavan – Em três volumes, a parte mais popular do alagoano ganha novas cores, sem perder a elegância e o suingue. Ângela RoRo e Antônio Adolfo enchem Outono de beleza, enquanto Chico César aumenta o ritmo de Curumim. E Ney Matogrosso dá mais sentido a Nobreza, enquanto Cláudio Zoli fica em casa em Linha do Equador.

Dorival Caymmi – Praticamente todas as músicas do baiano estão presentes nos quatro discos dedicados à sua obra. Este é o que menos ouvi, mas Canção da Noiva com Edson Cordeiro é linda, assim como Amelinha não precisa se esforçar muito em Vamos falar de Teresa.

Edu Lobo – Para Edu, foi dedicado um disco duplo reunindo 33 faixas. Mesmo sendo fraco de um modo geral, Ney Matogrosso reina em Vento Bravo, enquanto Alceu Valença se apropria de Ponteio.

Gilberto Gil – Uma das melhores seleções do projeto, os três discos de dedicados a Gil passam por samba, pop e rock. Nos destaques tem Rita Lee (Punk da Perifereia), Djavan (Lamento Sertanejo) e Kis Abelha (Esotérico). Mas é Tim Maia quem leva o prêmio de melhor gravação com Aquele Abraço.

João Bosco – Outra grande trilogia com uma boa seleção deste mineiro de batida carioca. Zizi Possi ensina afinação em Quando Amor Acontece, Assim como Edson Cordeiro em Miss Sueter. Entre os sambas, Alcione e Emílio Santiago dão aula em Coisa feita e Preta-Porter de Tafetá, respectivamente.

João Donato – esse é um dos meus preferidos. Como se não bastasse reunir composições desse gênio, o próprio pianista comparece em boa parte das gravações. Emílio santiago volta a brilhar em Os verbos do Amor, assim Donato Jr e, Doralinda, curiosa parceria de Donato com Cazuza. Gal Costa também se sai bem em Simples Carinho.

Marcos Valle – Dividida em dois volumes, esse songbook chegou a ganhar um hit em rádios e novela. Trata-se de Samba de Verão, ainda mais ensolarado com Caetano Veloso. Outros destaques são Wanda Sá imprimindo elegância e simplicidade em Meu Encanto, os Paralamas injetando energia em Mustang Cor de Sangue e Eumir Deodato bossanoviando em Adam’s Hotel.

Tom Jobim – Só o maestro soberano mereceria dois projetos em seu nome. O primeiro é um álbum duplo dedicado à sua obra instrumental, o único título da série que não tenho. O segundo é nos moldes dos outros compositores, que rendeu cinco volumes. Verônica Sabino faz bonito em Eu Preciso de Você, assim como Adriana Calcanhotto em Outra Vez (outra faixa que ganhou as rádios). No entanto, a grande surpresa é Rosa Maria jazzificando Two Kites.

Vinicius de Moraes – Para o Poetinha foram dedicados três discos com uma gama bem variada de intérpretes, que tinham o desafio de fugir do óbvio. Poucos conseguiram, mas o tributo ficou bonito. Luiz Melodia é só charme e melancolia em Onde Anda Você. Verônica Sabino faz jus ao violão de Banden Powell em Valsa Sem Nome. Moraes Moreira bota dendê em Só Danço Samba. Fafá de Belém deixa Serenata do Adeus ainda mais trágica, assim como Edson Cordeiro, certeiro em Bom Dia, Tristeza.



in Discografia, 10.05.2016
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