Química transcende canções

A turnê internacional que Caetano Veloso e Gilberto Gil cumpriram neste ano, agora registrada em DVD e CD, prova que às vezes a soma de um mais um dá mais do que dois.

Se o repertório de 29 músicas fosse dividido em apresentações individuais, com cada um cantando as obras de sua autoria, teríamos dois ótimos shows, talvez até melhores do que os que apresentaram em suas turnês solo nos últimos tempos.

Mas nenhum chegaria perto da celebração de MPB que a dupla consegue na espartana configuração de duas vozes e dois violões.

Porque Caetano e Gil têm vidas e obras que se cruzam durante os últimos 50 anos. Por isso uma palavra desgastada no recente discurso crítico vale muito para classificar essa relação: orgânica.

A lista de canções do disco é espetacular, e só não consegue aprovação unânime dos fãs porque uma noite é insuficiente para contemplar todas as músicas que seus seguidores garantem ter mudado a vida deles em algum momento.

Os baianos ficam o tempo todo no palco, sentados lado a lado. E, numa boa sacada, talvez cerebral, talvez intuitiva, às vezes trocam o vocal em algumas canções, ou pelo menos em parte delas.

Pontos fortes

Um dos momentos mais marcantes do show é quando Gil inicia o dedilhar dos acordes de "Super-Homem: A Canção", claramente reconhecidos com entusiasmo pela plateia, mas é Caetano que começa a cantá-la. Apenas um exemplo de surpresas sutis e divertidas aqui e ali.

Outro ponto forte do encontro é não se restringir a uma revisão nostálgica. Embora muita emoção seja passada por sucessos antigos como "Sampa", "Terra", "Expresso 2222" e "Drão", o repertório contempla canções mais recentes, como "Não Tenho Medo da Morte", de Gil, e "Odeio", de Caetano.

Há espaço ainda para "As Camélias do Quilombo do Leblon", composta pelos dois no meio da turnê, poucas noites antes da apresentação em São Paulo que teve transmissão do Multishow e é a registrada nesse novo CD e no DVD.



in Diário do Nordeste, 21.12.2015
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