Marisa e Gil em encontro impecável

O encontro inédito de Marisa Monte com Gilberto Gil no primeiro dia do Festival MPB, no último sábado (13), na área externa do Centro de Convenções, cumpriu a expectativa que pairava sobre os fãs da dupla. Os artistas colocaram em prática aquilo que cada um tem de mais refinado, executando um repertório pra ninguém botar defeito. Antes de Marisa entrar no palco cantando ''Panis et Circenses'', Gil abriu a apresentação sozinho, interpretando sucessos como ''Palco'' e ''Não chore mais'', sua versão para o clássico de Bob Marley. No decorrer da apresentacão, 'Dança da Solidão'', ''Balança a Pema'', ''Cérebro eletrônico'', ''Vamos fugir'', ''Beija eu'' e ''Xote das Meninas'', esta em homenagem ao nascimento de Luiz Gonzaga, embalaram a plateia, mais extasiante impossível.

A afinidade e o entusiasmo entre os artistas no palco era evidente, envolvendo o público numa espécie de êxtase coletivo, que foi ainda mais incrementando pela participação de Arnaldo Antunes. O ex-Tribalista cantou ''Velha Infância'' e ''Passe em casa'' ao lado de Marisa Monte. Mais cedo, Arnaldo foi também responsável por um dos shows mais cativantes da noite. Bastante à vontade no palco, o cantor esbanjou satisfação e sintonia com o público, interpretando músicas de seu trabalho mais recente, intitulado ''Disco'', e do álbum ''Iê iê iê'' (2009), além de sucessos como ''Socorro'' e ''Contato Imediato''.

No palco Olinda, destacaram-se a Banda do Mar e os pernambucanos da Mombojó, que contaram com a participação de Vitor Araújo. Com uma legião de fãs na cidade, a Mombojó fez um show empolgante, em clima de lançamento de seu álbum mais recente, intitulado ''Alexandre''. No entanto, não houve a euforia que costuma pautar o público frequentador das apresentações da banda. Talvez tenha sido um dos shows em que a plateia se manteve mais dispersa. Já a Banda do Mar foi recebida em polvorosa pelos recifenses, ávidos pela estreia, em solo pernambucano, do trio formado por Marcelo Camello, Mallu Magalhães e Fred Ferreira. A banda não precisou se esforçar para prender o público, que já tinha o repertório do disco recém lançado na ponta da língua.

No Palco Recife, a programação encerrou só depois da 1h, com a Nação Zumbi incendiando a plateia. Quem ficou até o final, vivenciou um dos melhores shows dos mangueboys em termos de performance e qualidade técnica. Como se não bastasse, Seu Jorge, que se apresenta hoje no festival, subiu no palco para acompanhar os pernambucanos no hit ''Quando a maré encher'', fechando a primeira noite do festival.

Com uma dinâmica eficiente de palcos que proporcionou shows intercalados sem qualquer contratempo, o primeiro dia do Festival MPB foi um excelente termômetro para futuros eventos do gênero, não só em termos de estrutura, que funcionou da melhor forma possível, como de demanda de público. Ainda que os fenômenos popularescos sejam a preferência para atrair um público massivo, a MPB é capaz de engrenar um grande festival. Não se trata de um novo formato, mas de novos valores que costumam não ter espaço no circuito de shows da cidade. Quem pagou para ficar na arena, pôde circular tranquilamente durante as apresentações, que não chegaram a superlotar o estacionamento do Centro de Convenções.

Instalado na lateral dos dois palcos, o Lounge permitiu mais conforto e acesso privilegiado aos que optaram pela área. A qualidade do som também contribuiu para o êxito das apresentações e para forma como o público assimilou essa primeira experiência, que deverá ficar na memória musical-afetiva dos recifenses. ''Um festival para inglês ver, ouvir e levar vantagem em todos os sentidos'', como dissera, certa vez, Rita Lee.



in Folha de Pernambuco , 14.12.2014
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